Barnaby era uma lagarta muito atarefada. Ele passava os dias mastigando folhas de serralha no cantinho ensolarado do prado. Enquanto as outras lagartas pareciam satisfeitas em mastigar e tirar uma soneca, Barnaby estava sempre olhando para o céu. Ele observava as libélulas passarem zunindo como pequenos jatos azuis e as abelhas voarem desajeitadas de flor em flor. Mais do que qualquer coisa, Barnaby queria voar.
"Quando vai ser a minha vez?", Barnaby perguntou à sua amiga Clara, que era bem maior e mais lenta do que ele. "Já comi folhas suficientes para encher uma biblioteca! Estou pronto para ver o mundo lá de cima."
Clara soltou um suspiro lento e calmo. "Tudo acontece no seu próprio tempo, Barnaby. Você não pode apressar um milagre. É preciso aprender a arte da espera."
Barnaby não gostava de esperar. Para ele, esperar parecia um desperdício de um lindo dia ensolarado. No entanto, alguns dias depois, uma sensação estranha tomou conta dele. Ele se sentiu pesado e com muito sono. Seguindo seus instintos, rastejou até a parte de baixo de um galho firme e teceu um pequeno botão de seda. Ele se pendurou de cabeça para baixo, formando o formato da letra J.
Logo, Barnaby foi envolvido por uma casca verde e dura chamada crisálida. No começo, ele ficou apavorado. Estava escuro, apertado e incrivelmente silencioso. Ele tentou se mexer para sair, mas não conseguia se mover. Dia após dia, ele ficou ali na quietude. Ele escutava o vento assobiando pelo jardim e o barulhinho suave da chuva batendo em suas paredes verdes.
Dentro da escuridão, algo incrível estava acontecendo. O corpo de Barnaby estava se transformando em algo completamente novo. Ele percebeu que, se tivesse escapado cedo demais, não estaria pronto. O silêncio deu a ele tempo para pensar e crescer forte.
Por fim, a casca verde ficou transparente, e Barnaby sentiu uma onda de energia. Ele empurrou e se remexeu até a crisálida se abrir. Ele saiu engatinhando, molhado e trêmulo, para cima do galho. Sentiu dois volumes pesados e úmidos nas costas. Enquanto esperava o sol secá-los, eles se expandiram em asas magníficas, laranjas e pretas. Com um grande bater de asas, Barnaby subiu aos céus. A espera tinha sido longa, mas a vista lá do alto das nuvens era ainda melhor do que ele imaginava.
