Muito antes de se tornar uma figura famosa na cultura pop moderna, Thor era uma das divindades mais reverenciadas da mitologia nórdica. Para os povos antigos da Escandinávia, ele era o deus de barba ruiva do trovão, dos relâmpagos, das tempestades e da força física. Como filho de Odin, o deus supremo, e de Fjörgyn, a personificação da Terra, Thor ocupava uma posição central no panteão nórdico. Enquanto Odin costumava ser associado à sabedoria, à magia e à realeza, Thor era considerado o protetor do povo comum, principalmente de agricultores e trabalhadores que dependiam da chuva para suas colheitas e da resiliência física para sobreviver.
O extraordinário poder de Thor era ampliado por vários artefatos lendários. O mais famoso entre eles era o Mjölnir, um poderoso martelo forjado por anões habilidosos. O Mjölnir era capaz de esmagar montanhas e sempre retornava para a mão de Thor quando arremessado. Para empunhar essa arma formidável, Thor usava luvas de ferro chamadas Járngreipr e um cinto mágico conhecido como Megingjörð, que dobrava sua força já gigantesca. Thor viajava pelos reinos em uma carruagem puxada por dois bodes gigantes, Tanngrisnir e Tanngnjóstr. Lendas antigas contavam que o estrondo das rodas de sua carruagem cruzando as nuvens gerava o trovão, enquanto o golpe de seu martelo criava os relâmpagos.
Na tradição nórdica, Thor atuava como o principal guardião de Asgard, a morada dos deuses, e de Midgard, o mundo dos humanos. Ele passava grande parte do tempo defendendo esses reinos de criaturas gigantescas que simbolizavam as forças caóticas e destrutivas da natureza. Por meio desses mitos, as antigas sociedades escandinavas explicavam fenômenos naturais rigorosos e encontravam conforto na certeza de que um guerreiro poderoso as protegia do caos. O legado de Thor sobrevive até hoje, de maneira bem clara na língua inglesa, na qual a palavra "Thursday" (quinta-feira) se originou de "Thor's Day" (o dia de Thor).



