Finn estava no convés desgastado pelo tempo do The Gilded Cutlass, segurando o parapeito de madeira lisa enquanto a brisa salgada molhava seu rosto. A maioria das pessoas pensava que ser pirata significava procurar baús de ouro enterrados, mas a tripulação de Finn era diferente. Eles eram exploradores do desconhecido, guiados pelo Capitão Barnaby, um homem cuja bússola não apontava para o norte, mas sim em direção à aventura.
"Fique de olho nessas ondas, Finn!", gritou o Capitão perto do timão. Sua voz era tão profunda quanto o próprio oceano. "As Ilhas Sussurrantes não aparecem para qualquer um. Você precisa prestar atenção no brilho da água."
Finn vasculhou o horizonte, onde o céu encontrava o mar em uma linha azul enevoada. De repente, ele notou uma mudança estranha. A água de cor anil escuro começou a formar redemoinhos com faixas de um turquesa brilhante e reluzente. Pareciam esmeraldas líquidas dançando sob a superfície. Ele subiu depressa pela escada de corda até o cesto de gávea, com o coração batendo forte no peito.
"Para o lado de boreste!", berrou Finn, com a voz quase falhando de tanta empolgação. "A passagem está se abrindo!"
Os marinheiros se moveram com muita precisão. Puxaram as pesadas cordas de cânhamo, ajustando as enormes velas brancas para aproveitar a mudança do vento. O navio rangeu e se inclinou ao fazer a curva, abrindo caminho pelas ondas. Mais à frente, dois pilares de pedra pontiagudos surgiram no mar como dentes de um gigante.
Quando o The Gilded Cutlass deslizou por entre as rochas, o som das ondas quebrando no mar aberto diminuiu. Eles entraram em uma lagoa escondida, onde a água era tão calma quanto um espelho. Sob a superfície, Finn conseguiu ver as ruínas de uma cidade antiga, com colunas de mármore cobertas de corais coloridos. Ele percebeu, naquele momento, que os maiores tesouros não ficavam guardados em baús; eram as paisagens e maravilhas que ninguém mais tinha visto.



