O sol começou a se pôr atrás dos picos escarpados das montanhas, pintando o céu em tons vibrantes de laranja e roxo. Leo e seu avô Silas finalmente tinham terminado de montar a barraca perto da margem de um lago de águas cristalinas. O ar estava fresco, com cheiro de agulhas de pinheiro e terra molhada. Leo enxugou uma gota de suor da testa, orgulhoso do abrigo resistente que haviam construído juntos.
— Espere até as luzes se apagarem, Leo — disse o vovô com uma piscadela enquanto juntava gravetos para a fogueira. — A cidade não tem um teto como este.
Quando o último raio de sol desapareceu, o mundo se transformou. O céu azul habitual transformou-se em um índigo profundo e aveludado. Um a um, pequenos pontos de luz começaram a romper a escuridão. No início, eram apenas alguns, mas logo o céu estava repleto de milhares de estrelas cintilantes. Leo tinha vivido na cidade a vida inteira, onde os postes de iluminação e os letreiros de neon escondiam o céu noturno. Ele ficou de queixo caído e inclinou o pescoço tão para trás que seu boné quase caiu.
— Olhe lá — sussurrou o vovô Silas, apontando o dedo calejado para um grupo de estrelas que parecia uma colher gigante. — Aquele é o Big Dipper, a famosa Caçarola. Ela faz parte de um conjunto maior chamado Ursa Maior.
Leo seguiu a mão do avô, traçando as linhas invisíveis no céu. Ele se sentiu minúsculo sob a vasta imensidão do universo, mas estranhamente em paz. De repente, um rastro de luz prateada cruzou a escuridão e desapareceu tão rápido quanto havia surgido.
— Uma estrela-cadente! — exclamou Leo, com a voz ecoando sobre as águas silenciosas.
O vovô sorriu, com a luz do fogo dançando em seus olhos. — Faça um pedido, Leo. Aqui fora, parece que as estrelas estão perto o suficiente para nos ouvir.
Eles ficaram sentados junto ao fogo crepitante por horas, conversando sobre os viajantes da antiguidade que usavam essas mesmas estrelas para encontrar o caminho de volta para casa. Com o tempo, as brasas brilhavam em um vermelho suave, e uma brisa fresca soprava do lago. Leo entrou em seu saco de dormir quentinho, com a mente ainda repleta de galáxias e mitos. Enquanto pegava no sono, teve a certeza de que nunca mais olharia para o céu noturno da mesma maneira.



