A brisa de outono soprava do Oceano Atlântico, espalhando o cheiro salgado do mar pela costa rochosa de Massachusetts. Léo, de dez anos, fechou o zíper de sua jaqueta vermelha e desceu rapidinho os degraus de granito que levavam à praia. Atrás dele, sua prima Maya carregava um pequeno balde de madeira e uma lupa. Eles estavam passando o fim de semana na casa da avó, perto de Cape Ann, ansiosos para explorar o litoral antes que a maré voltasse a subir.
"Olha só aqui, Léo!", chamou Maya, apontando para uma depressão rasa no meio das pedras cinzentas gigantes.
Léo subiu com cuidado pelas pedras escorregadias cobertas de algas escuras e pequenas cracas brancas. Diante deles surgiu uma poça de maré cristalina, deixada para trás pelo mar que estava recuando. A luz do sol brilhava na água, revelando um verdadeiro mundo subaquático em miniatura. Um pequeno caranguejo-eremita corria pelo fundo arenoso, arrastando sua pesada casa de concha de caracol. Perto dali, duas estrelas-do-mar cor de laranja bem vivas se agarravam com firmeza à rocha submersa.
Maya aproximou com cuidado a lupa da superfície. "A vovó disse que as pessoas exploram essas praias há centenas de anos, desde os primeiros pescadores até artistas famosos", sussurrou ela, com medo de que falar alto pudesse assustar os bichinhos.
Léo se inclinou mais perto e notou um brilho azul-escuro escondido entre as pedrinhas. Ele colocou a mão na água gelada e tirou um pedaço liso e fosco de vidro-do-mar azul-cobalto. O mar de Massachusetts rolou aquele vidro contra as rochas da costa por décadas, até desgastar todas as pontas afiadas e deixá-lo totalmente arredondado.
"Parece uma pequena lua crescente azul", disse Léo, erguendo a peça contra a luz do sol de outono.
Maya sorriu e guardou uma pedrinha cinza bem lisa no balde. Quando o farol distante começou a brilhar no céu do entardecer, as ondas voltaram a bater de mansinho contra as rochas mais baixas, anunciando que a maré estava voltando. Os primos se afastaram com calma, deixando a poça de maré protegida pelas águas que subiam. Caminhando colina acima em direção à varanda aconchegante da vovó, Léo guardou o vidro-do-mar no bolso, levando com ele uma lembrança da baía.



