A Surpresa da Primavera para o Príncipe do Inverno


O Príncipe Pipkin não era um príncipe comum. Ele era o Príncipe do Inverno, nascido no dia mais frio do ano, com cabelos brancos como a neve recém-caída e olhos da cor de lagos congelados. Ele adorava a estação gelada. Amava o barulho da neve estalando sob suas botas, a maneira como os flocos dançavam ao vento e a sensação aconchegante de ficar enrolado em um cobertor quente perto da lareira crepitante.
Contudo, à medida que os dias ficavam mais longos e o gelo começava a derreter, o Príncipe Pipkin sentia uma estranha inquietação. A primavera estava chegando, e ele não gostava nada disso. "Ha ha tjoe!", ele resmungava emburrado, o que significava "Ai de mim, o sol de novo não!" na língua do Príncipe do Inverno.
Certo dia, seu sábio conselheiro, o Professor Bramble, encontrou o jovem príncipe amuado ao lado de um boneco de neve quase derretido. "Príncipe Pipkin", disse ele gentilmente, "por que tanta tristeza com a chegada da primavera?"
"Porque a primavera é uma bagunça!", declarou Pipkin com firmeza. "É tudo cheio de lama, verde demais e... as flores são bobas!"
O Professor Bramble soltou uma risada calorosa. "Mas, Príncipe Pipkin, a primavera também é uma época de recomeços. É o momento em que a natureza desperta de um longo sono. Há tanto para explorar e aprender!"
Pipkin continuava desconfiado e cruzou os braços com teimosia. O conselheiro então teve uma ideia: "Vamos fazer um passeio investigativo. Vamos caminhar juntos pelo reino. Você me mostra cada detalhe de que não gosta, e eu prometo mostrar as maravilhas que talvez você ainda não tenha percebido."
Assim, os dois partiram pela floresta. Pipkin fez questão de apontar cada poça lamacenta, cada abelha atarefada e cada pétala colorida, sempre com uma careta de desdém. Em resposta, o Professor Bramble chamou sua atenção para os brotos minúsculos rompendo a terra úmida, os pássaros dedicados a tecer seus ninhos e os esquilos velozes brincando pelos galhos cheios de folhas novas. Ele ensinou Pipkin a escutar com atenção o canto alegre dos sapos coaxando e a admirar as primeiras borboletas que sobrevoavam as clareiras.
Aos poucos, o príncipe começou a enxergar a nova estação de outra forma. Ele ainda amava o inverno, é claro, mas percebeu que a primavera trazia uma magia diferente e encantadora. Pipkin começou até a gostar do perfume suave da vegetação florida e do calor agradável dos raios de sol em seu rosto.
Quando a última mancha branca de neve finalmente derreteu no pátio real, o Príncipe Pipkin já estava rindo e ajudando o Professor Bramble a espalhar sementes no canteiro do castelo. "Ha ha tjoe!", exclamou ele com entusiasmo, mas agora aquela expressão misteriosa tinha outro significado: "A primavera até que é bem divertida!"
- crepitante:
- Que produz pequenos estalos repetidos ao queimar, como a lenha no fogo.
- inquietação:
- Sensação de incômodo, agitação ou falta de sossego diante de uma situação desconhecida.
- amuado:
- Que está quieto, emburrado ou mal-humorado por causa de algum descontentamento.
- desdém:
- Atitude de desprezo ou indiferença em relação a algo que se considera sem valor.
- clareiras:
- Áreas abertas dentro de uma floresta onde a vegetação é rasteira e a luz do sol entra com facilidade.
- canteiro:
- Pequena porção de terra preparada em um jardim ou horta para plantar flores, ervas ou legumes.
Você também pode gostar
Sobre este texto de ficção para o 3º ao 5º ano
“A Surpresa da Primavera para o Príncipe do Inverno” é um texto de ficção sobre Estações e Mudança, escrito para o 3º ao 5º ano. A leitura leva cerca de 3 minutos (457 palavras). O texto inclui um quiz interativo e uma atividade para imprimir com perguntas de compreensão e gabarito.


