A Voz do Silêncio na Floresta


No coração pulsante da floresta tropical, onde a umidade lembrava uma sopa densa e a folhagem era um caleidoscópio de verdes infinitos, vivia Plínio. Plínio não era uma arara comum; era, por direito próprio e insistência constante, o arauto oficial daquele ecossistema. Sua plumagem formava uma explosão de escarlate, azul-cobalto e amarelo-canário, mas sua verdadeira distinção não residia em suas penas, e sim em seu incansável aparelho vocal. Plínio conversava com as antas sobre as condições das várzeas, discutia com os bugios a respeito da acústica da copa das árvores e narrava, com um entusiasmo quase exaustivo, cada pequeno incidente que ocorria do amanhecer ao crepúsculo.
Para os habitantes da mata, Plínio funcionava como uma mistura de rádio comunitária e despertador matinal. Se uma orquídea desabrochava em um recanto remoto, Plínio garantia que todos soubessem até o meio-dia. Se uma jovem onça tentava caçar e fracassava miseravelmente, a arara transformava a anedota em uma epopeia cômica que ecoava por todos os vales. Sua voz era potente, metálica e onipresente. Contudo, tamanha atividade vocal possuía um limite biológico que Plínio, em seu afã de ser o centro da rede de informações, decidiu ignorar completamente por anos.
- arauto:
- Aquele que anuncia solenemente as notícias, proclama novidades ou serve de mensageiro oficial.
- epopeia:
- Narrativa grandiosa de feitos heroicos; no texto, usada de forma irônica para descrever acontecimentos comuns exagerados pela ave.
- onipresente:
- Que parece estar em todos os lugares ao mesmo tempo; constante e incessante.
- afã:
- Ânsia desmedida, pressa excessiva ou empenho obstinado em alcançar algo.
- inaudível:
- Que não pode ser ouvido; excessivamente baixo ou silencioso para a audição normal.
- guturais:
- Sons ásperos produzidos profundamente na garganta.
- verborragia:
- Uso excessivo de palavras com pouco ou nenhum conteúdo relevante; falar compulsivamente.
- límpida:
- Clara, transparente, pura e sem imperfeições sonoras.
Um texto, várias formas de praticar
Pratique leitura, vocabulário e escrita com atividades criadas a partir deste texto.
Explorar atividades para imprimir →Ideia principal
Identifique a ideia principal e explique como os detalhes importantes a sustentam.
Resumo
Selecione, organize e conte as informações mais importantes sem acrescentar opiniões.
Objetivo do autor
Analise o que o autor pretende alcançar e como suas escolhas ajudam nisso.
Estrutura
Analise como as seções e a organização desenvolvem as ideias do texto.
Linguagem e tom
Interprete a linguagem expressiva e como as palavras criam um tom.
Vocabulário
Pratique palavras do texto com uma atividade para imprimir.
Propostas de escrita
Use o texto como ponto de partida para respostas curtas, desde uma reflexão pessoal até argumentos com evidências.
Corrija a frase
Pratique a revisão de frases retiradas deste texto com uma atividade para imprimir.

Quer usar este texto na sua aula?
Comece grátis com as perguntas variadas e 3 downloads de PDF por semana. O acesso às atividades por habilidade depende do plano.
Prévia das perguntas deste textoMostrarOcultar
- 1Qual era o papel desempenhado por Plínio na floresta antes de perder a voz?
- 2Que evento ou comportamento precipitou a perda da voz da arara?
Onde este texto se encaixa
Você também pode gostar
Sobre este texto de ficção para o 6º ao 8º ano
“A Voz do Silêncio na Floresta” é um texto de ficção sobre Comunicação, escrito para o 6º ao 8º ano. A leitura leva cerca de 6 minutos (920 palavras). O texto inclui um quiz interativo e uma atividade para imprimir com perguntas de compreensão e gabarito.
