Despedidas Agridoces


Lily sentia-se como um balão cheio de dois tipos opostos de ar. Um lado estava repleto de gás hélio, fazendo-a flutuar de animação. O outro lado parecia feito de chumbo pesado, puxando-a para baixo com tristeza. Em duas semanas, ela iria se mudar.
Seu pai havia conseguido um novo emprego em uma cidade chamada Brightville. Lily tinha visto fotos e achou o lugar incrível! Havia prédios tão altos que quase tocavam as nuvens e parques maiores do que todo o seu bairro atual. Ela imaginava explorar lojas desconhecidas e talvez até entrar em um novo time de futebol. Esse pensamento fazia o lado de hélio do balão se expandir.
No entanto, quando olhava para Maya e Ben, seus dois melhores amigos desde a pré-escola, o lado de chumbo pesava outra vez. Ela se lembrava do esconderijo secreto que construíram no bosque, feito com galhos caídos e lençóis velhos. Lembrou-se também do dia em que Ben escorregou de uma árvore e apenas ralou o joelho, mas todos choraram juntos, afinal era isso que amigos leais faziam.
"Não é justo!", Lily protestou em lágrimas quando seus pais deram a notícia sobre a mudança. "Eu não quero deixar vocês!"
Maya segurou firme a mão dela. "Nós continuaremos amigos, Lily. Prometo que vamos nos visitar!"
Ben, sempre muito otimista, completou com um sorriso: "E quem sabe Brightville não tem árvores ainda mais altas para subir?"
Apesar do carinho, Lily sabia que as coisas não seriam idênticas. Conversas por vídeo não substituíam o calor de sussurrar segredos no esconderijo escuro. Os novos colegas de classe não saberiam do dia em que ela usou calçados diferentes por engano na escola, nem de seus ataques de riso incontroláveis durante as leituras silenciosas na biblioteca.
Em uma tarde ensolarada, a mãe de Lily a encontrou sentada no chão do quarto, cercada por fotografias espalhadas. "Oi, querida", disse a mãe com voz doce. "O que você está fazendo?"
"Apenas recordando", murmurou Lily, passando a ponta do dedo sobre o sorriso engraçado de Maya em um retrato. "Eu estou feliz por ir para Brightville, de verdade. Só que também me sinto... muito triste."
A mãe sentou-se ao lado dela e a abraçou com ternura. "Sabe, minha joaninha", disse ela, usando o apelido carinhoso de infância de Lily, "não há problema algum em sentir duas emoções contrárias ao mesmo tempo. Isso significa que você está se despedindo de algo maravilhoso, mas também indica que seu coração está aberto para novidades incríveis."
Lily descansou a cabeça no ombro da mãe, respirando fundo. Talvez ela realmente pudesse ser como aquele balão que equilibrava hélio e chumbo. Podia guardar a tristeza da despedida e, no mesmo instante, cultivar a alegria de recomeçar. Sabia que não seria uma tarefa simples, mas sentia que tinha coragem de sobra para acolher esses dois sentimentos.
- hélio:
- Gás mais leve que o ar comum, frequentemente usado para encher balões e fazê-los flutuar.
- esconderijo:
- Local protegido ou secreto onde pessoas se abrigam ou guardam objetos com segurança.
- leais:
- Indivíduos fiéis, verdadeiros e dedicados aos seus amigos em todos os momentos.
- otimista:
- Aquele que costuma enxergar o lado favorável e ter esperança em situações difíceis.
- recordando:
- Ato de trazer lembranças e memórias do passado de volta ao pensamento.
- ternura:
- Sentimento de afeto suave, carinho profundo e delicadeza no tratamento com o outro.
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Sobre este texto de ficção para o 3º ao 5º ano
“Despedidas Agridoces” é um texto de ficção sobre Mudança, escrito para o 3º ao 5º ano. A leitura leva cerca de 3 minutos (467 palavras). O texto inclui um quiz interativo e uma atividade para imprimir com perguntas de compreensão e gabarito.


