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O Diário de Leo: Além do Último Lance

PicoBuddy3º ao 5º anoDiário4 min de leitura
Ilustração de O Diário de Leo: Além do Último Lance

Sexta-feira, 12 de novembro

Estou escrevendo isso porque não sei mais o que fazer. Minhas mãos ainda estão tremendo e, toda vez que fecho os olhos, vejo a mesma cena acontecer de novo. Faltavam cinco segundos no cronômetro. Estávamos perdendo por um ponto na final do campeonato regional. A torcida gritava tanto que parecia que o chão do ginásio estava vibrando. O treinador Miller pediu tempo e olhou bem nos meus olhos. "Leo", ele disse, "pegue a bola, infiltre na defesa e faça a cesta".

Eu fiz exatamente o que ele mandou. Driblei dois defensores. O garrafão se abriu como se fosse o destino. Saltei para a bandeja, a bola saiu da ponta dos meus dedos e... bateu no aro, girou e caiu para fora. O apito final soou enquanto a bola ainda quicava na quadra. Nós perdemos.

Senti que decepcionei a escola inteira. Meus colegas de equipe foram legais — me cumprimentaram e disseram que joguei bem —, mas consegui ver a decepção no rosto deles. Pior ainda foi o silêncio no carro no caminho para casa. Meu pai tentou dizer que era só um jogo, mas não parecia só um jogo. Parecia o fim do mundo. Vou dormir agora, ou pelo menos tentar.

Sábado, 13 de novembro

Fiquei no quarto a maior parte da manhã. Não queria olhar meu celular porque tinha certeza de que o grupo estaria cheio de mensagens comentando o erro. Quando finalmente criei coragem, havia quarenta e duas mensagens não lidas.

A maioria era até compreensiva. Maya, nossa armadora, escreveu: "A gente nem estaria na final sem as cestas de três do Leo no primeiro tempo". O treinador mandou um texto longo explicando que o basquete é um esporte coletivo e que nenhuma jogada isolada ganha ou perde uma partida. Isso me ajudou um pouco, mas os pensamentos não paravam. E se eu tivesse usado mais a tabela? E se eu não estivesse tão nervoso?

Meu pai entrou no quarto perto do meio-dia e disse que íamos ao parque. Falei que não queria jogar, mas ele respondeu que era só para caminhar. Acabamos sentando num banco perto das quadras públicas. Fiquei olhando algumas crianças jogando três contra três de forma bem desajeitada. Elas davam risada toda vez que tropeçavam ou erravam um arremesso. Lembrei de quando o basquete era apenas diversão, sem campeonatos ou pressão de lances no último segundo.

Domingo, 14 de novembro

Acordei cedo hoje. O ar estava fresco e gelado, mas o sol brilhava forte. Peguei minha bola na garagem. Ela parecia pesada e fria nas minhas mãos. Fui até o parque, o mesmo onde estive com meu pai ontem.

Fiquei na mesma posição de onde errei na sexta à noite. Respirei fundo e tentei a bandeja. Errei. Tentei de novo. Errei outra vez. Meus braços pareciam de chumbo. Na décima tentativa, a bola caiu suavemente na rede. Depois fiz de novo. E de novo.

Cerca de uma hora depois, ouvi o barulho de tênis no asfalto. Era a Maya. Ela trazia a bola dela debaixo do braço.

"Imaginei que te encontraria aqui", disse ela com um sorriso discreto. Ela não falou do jogo. Não perguntou como eu estava me sentindo. Apenas apontou para a cesta e disse: "Vamos treinar corta-luz. Temos uma temporada longa pela frente".

Passamos as duas horas seguintes treinando. Percebi que o erro de sexta-feira agora faz parte da minha história, mas não define quem eu sou. Ainda sou um jogador de basquete e continuo sendo parte do time. A tabela continua na mesma altura e a bola continua redonda. Acho que vou ficar bem. Amanhã é segunda-feira e temos o primeiro treino da nova fase. Serei o primeiro a chegar.

Glossário
cronômetro:
Aparelho ou mostrador usado para medir intervalos exatos de tempo em jogos e competições esportivas.
garrafão:
Área restritiva pintada na quadra de basquete, localizada logo abaixo e à frente da cesta.
bandeja:
Tipo de arremesso no basquete feito bem perto da cesta, dando passadas e soltando a bola suavemente com uma das mãos.
armadora:
Jogadora responsável por organizar as jogadas de ataque, distribuir passes e controlar o ritmo da partida de basquete.
arremesso:
Ato de lançar a bola em direção à cesta na tentativa de pontuar.
corta-luz:
Jogada estratégica no basquete em que um jogador bloqueia a trajetória do defensor para deixar o colega de equipe livre.
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Sobre este texto de diário para o 3º ao 5º ano

“O Diário de Leo: Além do Último Lance” é um texto de diário sobre Resiliência, escrito para o 3º ao 5º ano. A leitura leva cerca de 4 minutos (614 palavras). O texto inclui um quiz interativo e uma atividade para imprimir com perguntas de compreensão e gabarito.

Este texto é gratuito?

Sim. Você pode ler “O Diário de Leo: Além do Último Lance” gratuitamente online e baixar uma atividade em PDF com perguntas de compreensão e gabarito.

Para qual ano escolar é “O Diário de Leo: Além do Último Lance”?

O texto foi escrito para o 3º ao 5º ano: um texto de diário sobre Resiliência, com leitura de aproximadamente 4 minutos (614 palavras).

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