O Dilema da Transparência de Bartolomeu


Bartolomeu era, sem sombra de dúvida, um fantasma. Habitava o velho Casarão Willow Creek, uma propriedade imponente cercada de lendas que afirmavam ser mal-assombrada há séculos. Havia apenas um detalhe desconcertante: Bartolomeu simplesmente não conseguia dominar a arte de ser uma assombração convencional.
A maioria dos espíritos exercia pleno controle sobre a própria visibilidade. Em um instante materializavam-se para assustar visitantes desavisados com formas etéreas; no segundo seguinte, dissolviam-se no ar rarefeito, deixando apenas um rastro gélido. Bartolomeu, contudo, permanecia em um estado de brilho perpétuo. Jamais conseguia esvanecer, cintilar ou diminuir a intensidade de sua luminescência fosforescente. Ele estava sempre presente, vagando pelos corredores como uma silhueta vítrea e inalterável.
— É uma situação profundamente frustrante — desabafava ele com frequência diante de Bigodes, o felino malhado e rechonchudo residente do casarão. O animal, obviamente, não compreendia uma única palavra, mas demonstrava ser um ouvinte paciente enquanto cochilava na presença translúcida do fantasma.
Bartolomeu tentou de tudo para solucionar sua anomalia. Meditou durante horas no sótão empoeirado, procurando uma espécie de interruptor interno que apagasse sua luz. Posicionou-se diante de espelhos antigos, sussurrando misteriosas incantações que ouvira de investigadores paranormais — estudiosos que haviam fugido apavorados assim que o viram surgir. Chegou até a cobrir-se com lençóis escuros na esperança de reter a claridade, mas nada surtiu efeito. Sua condição parecia irremediável, mergulhando-o em discreta melancolia.
A rotina monótona transformou-se quando novos inquilinos chegaram a Willow Creek. A família Miller era composta por um casal e sua filha, Lily, uma garota perspicaz, dona de um olhar atento e uma imaginação fértil. Ao desembarcar, ela tomou conhecimento dos boatos sobre o casarão. Diferente das outras crianças da vizinhança, Lily não sentiu medo; sentiu fascínio.
Na primeira noite, o encontro inevitável ocorreu no corredor principal. Flutuando silenciosamente, Bartolomeu emitia sua costumeira luz límpida. Lily não gritou nem correu em pânico. Em vez de fugir, ela parou e o observou com serenidade.
O espectro hesitou, surpreso com aquela reação incomum. Em geral, as pessoas desmaiavam, berravam ou desviavam o olhar apressadamente. Com voz vacilante, ele quebrou o silêncio:
— Olá... Eu me chamo Bartolomeu, o fantasma residente.
Lily deu uma risadinha calorosa.
— Muito prazer, Bartolomeu. Sou a Lily. Por que você brilha o tempo todo?
Bartolomeu explicou pacientemente sua incapacidade de controlar a transparência. Para seu espanto, Lily não achou o relato aterrorizante ou repulsivo; achou a ideia extraordinária. A menina propôs usar aquele dom incomum de forma prática: ela detestava a escuridão total e precisava de uma luminária confiável.
A partir daquele momento, Bartolomeu encontrou um novo propósito. Toda noite, pairava perto do quarto de Lily, afastando os temores noturnos com seu clarão suave. A menina até espalhou pela cidade a lenda de que o casarão era protegido contra pesadelos por uma presença acolhedora. Assim, Bartolomeu finalmente compreendeu que ser visível não era um defeito imperdoável, mas a ponte que o transformou em guardião e amigo.
- visibilidade:
- Qualidade ou estado daquilo que pode ser visto ou percebido pela visão.
- perpétuo:
- Que dura para sempre ou continua sem interrupção; permanente.
- solucionar:
- Encontrar uma resposta, desfecho ou remédio adequado para um problema ou enigma.
- incantações:
- Fórmulas mágicas, palavras cantadas ou encantamentos usados em rituais místicos.
- melancolia:
- Sentimento profundo de tristeza, desânimo ou saudade sem causa evidente.
- fascínio:
- Atração intensa, encanto irresistível ou grande admiração por algo.
- espectro:
- Aparição fantasmagórica ou figura translúcida de alguém que já morreu.
- hesitou:
- Ficou indeciso, titubeou ou parou brevemente antes de tomar uma atitude ou falar.
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Sobre este texto de ficção para o 6º ao 8º ano
“O Dilema da Transparência de Bartolomeu” é um texto de ficção sobre Ghost Stories, escrito para o 6º ao 8º ano. A leitura leva cerca de 3 minutos (486 palavras). O texto inclui um quiz interativo e uma atividade para imprimir com perguntas de compreensão e gabarito.


