O Festival nas Águas de Xochimilco


O sol da manhã lançava um brilho dourado sobre as águas calmas de Xochimilco. Mateo, de dez anos, respirou fundo o aroma doce de terra úmida e flores frescas. Hoje era o início do grande festival de fim de semana, e o barco de madeira de sua família, uma tradicional trajinera chamada La Flor, estava quase pronto.
Por gerações, a família de Mateo conduzia visitantes por esses canais antigos, construídos inicialmente pelos astecas há centenas de anos. As águas serpenteavam ao redor das chinampas, os famosos canteiros agrícolas flutuantes onde agricultores ainda cultivavam flores coloridas e vegetais frescos.
— Mateo, me passe a tinta amarela! — chamou sua irmã mais velha, Sofia. Ela estava ajoelhada no convés de madeira do barco, retocando com cuidado as letras pintadas de La Flor no grande arco de madeira na proa.
Mateo entregou a ela o pote e o pincel.
— Você acha que temos cravos-de-defunto suficientes para a cobertura? — perguntou ele, olhando para os caixotes de madeira cheios de flores alaranjadas e amarelas no píer.
— Precisamos de cada uma delas — respondeu o pai deles, Papai, subindo no barco. Ele carregava um rolo pesado de bandeirinhas coloridas de papel de seda recortado, chamadas de papel picado. — Pessoas do mundo inteiro vêm conhecer as cores vibrantes de Xochimilco. Nosso barco precisa parecer um arco-íris flutuante!
Mateo começou a trabalhar. Sua tarefa era trançar as flores frescas em longas e grossas guirlandas. Os caules eram pegajosos, mas o perfume era maravilhoso. Enquanto trabalhava, ele imaginava os canais mais tarde, repletos de música ao vivo de bandas de marimba e o riso de famílias reunidas para saborear pratos deliciosos.
De repente, Mateo levou um susto. Ao se esticar para alcançar outro maço de flores, sua manga enroscou em um caixote de madeira. O caixote tombou, e um maço enorme de dálhias roxas e radiantes — o enfeite principal da decoração — escorregou em direção à beirada do píer, logo acima da água escura.
— Peguei! — gritou Sofia. Ela se lançou para a frente, segurando as flores um segundo antes de caírem no canal. Ela sorriu, embora tivesse uma mancha de tinta amarela na bochecha. — Essa foi por pouco. Essas dálhias são a coroa de La Flor.
— Obrigado, Sofia — disse Mateo, soltando o ar com alívio. Juntos, eles amarraram com todo o cuidado as flores no topo do arco de madeira.
Ao meio-dia, a transformação estava completa. La Flor brilhava de tão bonita. Seu arco recém-pintado reluzia sob a luz do sol, emoldurado por grossas guirlandas laranjas, amarelas e roxas. O papel picado balançava na brisa suave, projetando sombras alegres sobre os bancos de madeira limpos.
Outras trajineras começaram a deslizar pelos canais, e seus barqueiros acenavam com saudações animadas. Ao longe, os acordes doces de um violão começaram a soar. Papai desamarrou a corda grossa do píer e entregou a Mateo a longa vara de madeira usada para impulsionar o barco pelas águas rasas.
— Está pronto para nos guiar, Mateo? — perguntou Papai, com um sorriso orgulhoso.
Mateo segurou firme a vara de madeira polida, sentindo uma conexão profunda com as gerações de barqueiros que navegaram por aquelas águas antes dele. Com um impulso firme contra o fundo do canal, La Flor deslizou suavemente pela água, pronta para a grande festa.
- trajinera:
- Embarcação de madeira tradicional, de fundo plano e colorida, típica dos canais de Xochimilco.
- chinampas:
- Canteiros artificiais de cultivo agrícola construídos sobre a água desde a época pré-colombiana.
- proa:
- A parte da frente de um barco ou navio.
- papel picado:
- Arte tradicional mexicana feita com folhas de papel de seda recortadas com desenhos detalhados.
- guirlandas:
- Tranças ou cordões feitos com flores, folhas ou ramos entrelaçados para decoração.
- marimba:
- Instrumento musical de percussão com lâminas de madeira que produzem som ao serem tocadas com baquetas.
- dálhias:
- Flores vistosas e cheias de pétalas, originárias do México e muito usadas em festividades.
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Sobre este texto de conto para o 3º ao 5º ano
“O Festival nas Águas de Xochimilco” é um texto de conto sobre Mexican Traditions, escrito para o 3º ao 5º ano. A leitura leva cerca de 4 minutos (555 palavras). O texto inclui um quiz interativo e uma atividade para imprimir com perguntas de compreensão e gabarito.


