PicoBuddy

O Orgulho de Apolo e o Destino de Dafne

PicoBuddy6º ao 8º anoConto4 min de leitura
Ilustração de O Orgulho de Apolo e o Destino de Dafne

O deus do sol, Apolo, era conhecido por muitos atributos: sua música encantadora, suas profecias infalíveis e sua formidável habilidade com o arco. No entanto, sua maior fraqueza costumava ser a própria arrogância. Após derrotar a monstruosa serpente Píton, que aterrorizara por muito tempo as encostas do Monte Parnaso, o ego de Apolo inflou a ponto de torná-lo imprudente. Ao cruzar o caminho de Cupido, o pequeno deus alado do amor que ajustava a corda de um arco minúsculo, Apolo não conteve um comentário sarcástico. Ele zombou de Cupido, afirmando que uma criança não tinha o direito de empunhar a arma de um verdadeiro guerreiro. Ofendido pela condescendência do deus solar, Cupido decidiu provar que suas flechas, embora pequenas, carregavam um poder muito mais avassalador do que qualquer golpe desferido contra monstros.

De sua aljava, Cupido retirou duas flechas muito distintas. A primeira tinha a ponta de ouro reluzente, feita para despertar uma paixão ardente e insaciável no coração de quem fosse atingido. A segunda era rombuda e tinha a ponta de chumbo pesado, destinada a incutir uma repulsa visceral e fria contra qualquer forma de romance. Com um brilho travesso no olhar, Cupido mirou com precisão: cravou a flecha dourada no peito de Apolo e atingiu a bela ninfa dos bosques, Dafne, com a flecha de chumbo. Em um piscar de olhos, os destinos dos dois se entrelaçaram em uma perseguição dramática que ecoaria através das eras.

Apolo, habitualmente altivo e sereno, foi tomado por uma obsessão incontrolável. Aos seus olhos, Dafne parecia a criatura mais resplandecente de toda a criação, com cabelos que brilhavam como a luz do sol filtrada pelas copas das árvores. Ele passou a persegui-la por matagais densos e prados abertos, suplicando com a voz trêmula para que ela diminuísse o passo. Gritava seus títulos divinos e exaltava sua nobre linhagem, na esperança de impressioná-la com seu poder supremo. Para Dafne, contudo, a voz de Apolo ressoava como um trovão aterrorizante. Sob o efeito do chumbo, a ninfa sentia apenas pavor e um anseio desesperado de permanecer livre. Ela corria com a agilidade de uma corsa assustada, mal tocando o solo da floresta para escapar da sombra insistente do deus.

Quando a perseguição alcançou as margens do rio Peneu, o vigor de Dafne começou a vacilar. Ela já podia sentir a respiração quente de Apolo na nuca e via os dedos dele quase alcançarem a barra de seu manto. Exausta e dominada pelo pânico, ela clamou às águas correntes governadas por seu pai, o deus-rio Peneu: "Ajuda-me, meu pai! Se tuas águas guardam algum poder divino, destrói esta beleza que só me trouxe desgraça. Transforma o corpo que atrai uma perseguição tão indesejada!"

Assim que as palavras cessaram, um estranho e pesado entorpecimento começou a se espalhar por seus membros. Apolo estendeu a mão para segurá-la, mas, em vez da pele suave da jovem ninfa, seus dedos tocaram a aspereza fria de uma casca vegetal. Os pés ágeis de Dafne criaram raízes profundas na terra úmida. Seus cabelos sedosos transformaram-se em uma copa de folhagem brilhante, e seus braços delicados se tornaram galhos graciosos voltados para o céu. Diante dos olhos estarrecidos do deus, a ninfa havia se transformado em um pé de loureiro. Mesmo sem a forma humana, a madeira ainda pulsava com o ritmo suave de seu coração sob o tronco recém-formado.

Paralisado pela tristeza, Apolo encostou a mão na casca e chorou pelo amor perdido antes mesmo de florescer. Consciente de que Dafne jamais seria sua esposa, o deus prometeu que ela continuaria ao seu lado de outra maneira. Colheu alguns ramos verdes e teceu com eles uma coroa circular. Declarou que, já que não poderiam se unir, as folhas de louro adornariam eternamente seus cabelos, sua lira e sua aljava, tornando-se também o maior emblema de glória para poetas, generais e campeões. Desde aquele dia, o loureiro consagrou-se como símbolo imortal de triunfo, servindo como uma lembrança eterna do orgulho ferido de um deus e da fuga corajosa de uma ninfa por sua liberdade.

Glossário
formidável:
Que desperta grande admiração por ser extraordinário, grandioso ou temível.
condescendência:
Atitude de superioridade que trata os outros com desprezo ou desdém disfarçado.
insaciável:
Que não se consegue satisfazer, fartar ou apaziguar; desmedido.
visceral:
Profundo, instintivo e intenso, que parece vir do íntimo do corpo.
resplandecente:
Que brilha intensamente; luminoso, radiante e cheio de esplendor.
linhagem:
Série de antepassados ou ascendência familiar nobre de uma pessoa.
entorpecimento:
Perda temporária ou gradual da sensibilidade e da capacidade de movimento; rigidez.
loureiro:
Árvore de folhas aromáticas e perenes, associada na Antiguidade a honras e vitórias.
Carregando perguntas...

Você também pode gostar

Sobre este texto de conto para o 6º ao 8º ano

“O Orgulho de Apolo e o Destino de Dafne” é um texto de conto sobre Mitologia Grega, escrito para o 6º ao 8º ano. A leitura leva cerca de 4 minutos (673 palavras). O texto inclui um quiz interativo e uma atividade para imprimir com perguntas de compreensão e gabarito.

Este texto é gratuito?

Sim. Você pode ler “O Orgulho de Apolo e o Destino de Dafne” gratuitamente online e baixar uma atividade em PDF com perguntas de compreensão e gabarito.

Para qual ano escolar é “O Orgulho de Apolo e o Destino de Dafne”?

O texto foi escrito para o 6º ao 8º ano: um texto de conto sobre Mitologia Grega, com leitura de aproximadamente 4 minutos (673 palavras).

O que acompanha este texto?

Um texto ilustrado, um glossário de termos importantes, perguntas de compreensão com gabarito e um quiz interativo.

Posso adaptar o texto para meus alunos?

Sim. Com uma conta gratuita, você pode usar o Remix para adaptar o texto a outro ano escolar ou traduzi-lo para outro idioma.