O Poder do "Ainda"


Maya olhava fixamente para o violino de madeira guardado em seu estojo forrado de veludo. Para ela, o instrumento parecia um pássaro lindo e adormecido. No entanto, quando ela o pegava, o som lembrava mais o grasnado de um corvo barulhento. A menina tinha dez anos e fazia aulas há exatamente três meses. Seu projeto atual era uma canção chamada "A Valsa do Pássaro Azul", que vinha se mostrando sua pior inimiga.
Ela encaixou o violino sob o queixo e deslizou o arco pelas cordas. Guincho! O som estridente ecoou pelo quarto. Maya soltou um gemido de frustração e deixou os ombros caírem. "Eu simplesmente não consigo fazer isso", sussurrou ela para seus bichos de pelúcia. "Meus dedos não se movem rápido o suficiente e não consigo tirar um som bonito." Ela sentiu lágrimas arderem em seus olhos. Tocar um instrumento era muito mais difícil do que parecia nos filmes.
No dia seguinte, durante a aula, o professor de Maya, o Sr. Harrison, percebeu a nuvem de desânimo ao redor da garota. Ele era um homem gentil, de cabelos prateados e com um colete que sempre cheirava a madeira de cedro. "Como está indo a valsa, Maya?", ele perguntou suavemente.
"Não está", suspirou Maya, encarando a ponta de seus tênis surrados. "Não consigo tocar as notas agudas e não consigo acertar o ritmo. Acho que não tenho talento para o violino."
O Sr. Harrison não pareceu decepcionado. Em vez disso, pegou uma pequena lousa sobre sua mesa de trabalho. Ele segurou um pedaço de giz branco e escreveu uma única palavra em letras grandes: AINDA.
"Você esqueceu uma palavra no final de todas essas frases, Maya", disse ele com calma. "Você não consegue tocar as notas agudas ainda. Você não consegue acertar o ritmo ainda. E você não toca violino perfeitamente ainda."
Maya piscou surpresa. "Adicionar só uma palavra muda alguma coisa de verdade?"
"Muda tudo", respondeu o Sr. Harrison. "Quando você diz 'não consigo', está fechando uma porta. Está dizendo ao seu cérebro que a história acabou. Mas, ao acrescentar a palavra 'ainda', você abre uma janela. Você lembra a si mesma de que está em uma jornada e que apenas não chegou ao destino final. Todo músico profissional que você já ouviu foi um iniciante que decidiu acreditar na palavra 'ainda'."
Maya pensou nisso durante todo o caminho para casa. Naquela noite, ao abrir o caderno de música, viu aquele conjunto complicado de notas pretas na folha. Normalmente, ela pensaria: Eu não sei ler isso. Em vez disso, respirou fundo e disse em voz alta: "Eu não sei ler isso... ainda."
Ela começou a treinar com dedicação. Quando o arco escorregava e produzia um zumbido estranho, ela não desistia. Apenas dizia: "Esse som não saiu certo... ainda." Ela tentava de novo e de novo. Decidiu focar em uma parte pequena de cada vez. Em vez de tentar dominar a valsa inteira, praticou apenas quatro compassos seguidos.
Aos poucos, os guinchos começaram a diminuir. Seus dedos, antes rígidos e pesados, começaram a se mover com leveza. Na quarta-feira, ela conseguiu tocar a primeira página sem nenhuma interrupção. Na sexta-feira, dominou a difícil transição para as notas agudas que a tinham feito chorar no início da semana.
Quando a manhã de sábado chegou, Maya entrou na sala do Sr. Harrison com a cabeça erguida. Nem esperou o professor pedir: afinou o violino, respirou fundo e começou a tocar. A melodia da "Valsa do Pássaro Azul" preencheu a sala. Não estava impecável, mas era música de verdade. Tinha altos e baixos e parecia um passarinho levantando voo.
Ao terminar, o ambiente ficou em silêncio por alguns instantes. O Sr. Harrison sorriu e bateu palmas. "Isso foi maravilhoso, Maya! Você demonstrou um progresso incrível!"
Maya abriu um sorriso largo, com as bochechas coradas de orgulho. "Obrigada, Sr. Harrison. Ainda estou treinando o final, não está perfeito...", ela fez uma pausa e seus olhos brilharam, "...ainda!"
O Sr. Harrison deu uma risada calorosa. "Exatamente. E é por isso que você vai se tornar uma grande musicista."
Maya percebeu que o violino não era mais um inimigo. Era um desafio, e cada desafio era só um 'ainda' esperando para acontecer.
- estojo:
- Caixa protetora acolchoada usada para guardar e transportar instrumentos com segurança.
- ritmo:
- Organização do tempo e da batida na música, marcando a velocidade das notas.
- jornada:
- Caminho ou processo de desenvolvimento percorrido para atingir um objetivo.
- compassos:
- Pequenas unidades de tempo que dividem uma partitura em partes iguais e organizadas.
- transição:
- Passagem suave ou mudança gradativa de um trecho musical para outro.
- melodia:
- Sequência harmoniosa de notas musicais que formam o tema principal de uma canção.
- progresso:
- Avanço contínuo ou melhoria obtida por meio de esforço, treino e dedicação.
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Sobre este texto de conto para o 3º ao 5º ano
“O Poder do "Ainda"” é um texto de conto sobre Mentalidade de Crescimento, escrito para o 3º ao 5º ano. A leitura leva cerca de 5 minutos (700 palavras). O texto inclui um quiz interativo e uma atividade para imprimir com perguntas de compreensão e gabarito.


