Uma Noite de Aventura no Quintal


Sexta-feira, 12 de junho – 16h30
Hoje finalmente é o grande dia! Maya e eu estamos planejando nossa 'Grande Expedição no Quintal' há semanas. Desde que nossos pais compraram a nova barraca para quatro pessoas, estávamos ansiosos para dormir sob as estrelas. É claro que 'sob as estrelas' significa, na verdade, a cerca de seis metros da porta da cozinha, mas, para nós, a sensação é a de desbravar uma floresta selvagem. Montar a barraca foi bem mais difícil do que parecia nas instruções. Maya insistia que as varetas prateadas compridas deviam passar pelas abas laterais, enquanto eu tinha certeza de que elas se cruzavam por cima. Depois de muitos puxões e de um suspiro bem frustrado da Maya, finalmente conseguimos deixar a estrutura de pé. Ela ficou um pouco torta, parecendo mais um marshmallow amassado do que um abrigo profissional, mas é nossa! Já levamos nossos sacos de dormir, três travesseiros para cada uma e uma montanha de lanches para dentro. Consigo sentir o cheiro da grama através das telas de proteção, e o ar ainda está quentinho por causa do sol da tarde.
Sexta-feira, 12 de junho – 21h15
O sol já se pôs totalmente, e o quintal se transformou em um mundo completamente diferente. É impressionante como um lugar que a gente vê todo santo dia pode parecer tão misterioso no escuro. Estamos sentadas no meio da barraca com as lanternas acesas, fazendo sombras de animais nas paredes de tecido. A Maya é bem melhor nisso do que eu; ela conseguiu fazer um lobo uivando tão perfeito que deu até um friozinho na barriga. O bairro fica surpreendentemente barulhento à noite. Normalmente, no meu quarto, não percebo o zumbido distante da rodovia nem o ritmo constante dos grilos cantando, mas aqui fora todo ruído parece amplificado. Cada vez que o vento bate no náilon da barraca, faz um estalo alto que assusta nós duas. Agora estamos comendo nossas 'rações de sobrevivência', que consistem basicamente em pretzels cobertos de chocolate e caixinhas de suco. A Maya jura que não está com medo, mas reparei que ela puxou o saco de dormir uns quinze centímetros para mais perto do meu.
Sexta-feira, 12 de junho – 23h40
Eu tinha certeza de que já estaríamos dormindo a esta hora, mas aconteceu uma coisa inesperada. Cerca de vinte minutos atrás, ouvimos um baque forte seguido por um farfalhar apressado na vegetação perto da cerca. Meu coração começou a bater contra o peito feito um pássaro engaiolado. Maya agarrou meu braço com tanta força que achei que fosse deixar uma marca. Desligamos as lanternas e ficamos em silêncio absoluto, encarando a silhueta dos arbustos através da porta da barraca. Por um segundo, imaginei um urso gigante ou talvez uma onça perdida no subúrbio de Ohio. Então, um focinho pequeno com uma máscara escura surgiu entre as folhas. Era apenas um guaxinim! Ele olhou para a nossa barraca com seus olhinhos pretos e brilhantes, provavelmente curioso para saber por que duas humanas estavam dormindo no território dele, e depois saiu balançando o corpo em direção às latas de lixo. Nós duas caímos na gargalhada quando nos demos conta de que tínhamos ficado apavoradas com um bichinho peludo que só queria restos de comida. Depois que a adrenalina passou, o ar fresco da noite finalmente começou a me dar sono. O canto dos grilos é até relaxante depois que a gente se acostuma.
Sábado, 13 de junho – 07h00
Acordei com o canto de um cardeal bem vermelho bem pertinho da nossa barraca. A luz da manhã entrava pelo tecido verde, fazendo tudo parecer como se estivéssemos embaixo d'água. A grama estava coberta por um orvalho brilhante e meu saco de dormir parecia um pouco úmido, mas eu nem liguei. Nós conseguimos! Sobrevivemos à nossa primeira noite na natureza. Maya ainda estava em sono profundo, roncando bem baixinho, com o saquinho de pretzels ainda preso na mão. Olhando em direção à casa, vi minha mãe espiando pela janela da cozinha com uma xícara de café, acenando para mim ao ver que eu estava acordada. Não escalamos uma cordilheira nem atravessamos um deserto, mas, sentada ali na tranquilidade da manhãzinha, me senti uma verdadeira exploradora. Acho que vamos repetir isso no próximo fim de semana, mas da próxima vez com certeza levaremos uma lanterna melhor e talvez cobertores extras. O quintal não é mais apenas um quintal; é o nosso acampamento secreto.
- expedição:
- Viagem organizada com um objetivo de exploração, pesquisa ou aventura.
- amplificado:
- Que se tornou mais intenso, mais forte ou de maior volume sonoro.
- sobrevivência:
- Ação de continuar vivo ou de se manter seguro diante de desafios e adversidades.
- vegetação:
- Conjunto de plantas, arbustos ou ervas que cobrem uma determinada área.
- silhueta:
- Contorno ou sombra escura de uma figura vista contra um fundo mais claro.
- território:
- Área ou espaço vigiado e defendido por um animal ou grupo como sendo seu.
- adrenalina:
- Substância que o corpo produz em situações de medo, emoção forte ou perigo.
Você também pode gostar
Sobre este texto de diário para o 3º ao 5º ano
“Uma Noite de Aventura no Quintal” é um texto de diário sobre Acampamento no quintal, escrito para o 3º ao 5º ano. A leitura leva cerca de 5 minutos (736 palavras). O texto inclui um quiz interativo e uma atividade para imprimir com perguntas de compreensão e gabarito.


