A grama estava fresca e úmida sob os pés descalços de Maya enquanto ela arrastava o pesado tripé de metal até o meio do quintal. Era uma noite perfeita para uma aventura. O ar estava calmo e o céu parecia um cobertor de veludo roxo-escuro esticado de um horizonte ao outro. Lá no alto, as estrelas começavam a piscar, uma a uma, como pequenas lanternas sendo acesas ao longe.
Seu avô vinha logo atrás, carregando uma caixinha de madeira com o cuidado de quem segura um tesouro frágil. "Paciência é a ferramenta mais importante para um astrônomo, Maya", disse ele baixinho. Ele ajudou a menina a firmar o telescópio e mostrou como trocar as lentes. Os dois apontaram o longo tubo na direção daquele fino pedaço prateado de lua. Quando Maya finalmente espiou pela ocular, soltou um suspiro de espanto. A Lua não era só uma luz lisa no céu; era um mundo antigo e cheio de relevos. Ela conseguia ver as bordas irregulares de crateras profundas e as sombras compridas das montanhas lunares.
Depois de explorarem a Lua, o vovô apontou para um grupo de pontos brilhantes. "Essa é a constelação da Ursa Maior", explicou ele, desenhando no ar com o dedo o formato de uma concha gigante. Maya tentou imaginar os povos antigos olhando para as mesmas estrelas e contando histórias sobre ursos e heróis. Ela sentiu uma pontada mágica de encantamento ao perceber que a luz que chegava aos seus olhos tinha viajado por anos no vácuo gelado do espaço só para alcançar aquele quintal.
Enquanto descansavam juntos no balanço da varanda, um risco repentino de luz branca cruzou a escuridão. "Uma estrela cadente!", gritou Maya, apontando para o rastro que sumia aos poucos. O vovô sorriu e assentiu com a cabeça. Maya compreendeu que, embora a Terra parecesse pequena e calma à noite, o universo estava em pleno movimento e cheio de segredos. Ela encostou a cabeça no ombro do avô, já planejando qual planeta iriam procurar na noite seguinte.



