Por trinta anos, o ônibus espacial foi a primeira espaçonave reutilizável do mundo. Ao contrário dos foguetes mais antigos, que só serviam para uma única viagem, ele conseguia voar até o espaço, voltar para a Terra e decolar de novo. Parecia uma mistura de foguete com avião. No momento do lançamento, ele subia com um estrondo a partir da plataforma com a ajuda de dois propulsores gigantes. Mas, assim que alcançava o vácuo do espaço, virava um laboratório silencioso e flutuante, girando em órbita bem acima do nosso planeta.
Viver dentro do ônibus espacial era uma experiência única. Como quase não há gravidade em órbita, tudo flutua. Isso se chama microgravidade. Os astronautas precisavam se prender com tiras em sacos de dormir para não baterem nas paredes enquanto dormiam. Até comer era uma grande aventura! Alimentos como castanhas ou frutas secas deviam ser manuseados com muito cuidado, senão saíam flutuando por toda a cabine. As janelas grandes da nave ofereciam uma vista espetacular da Terra, revelando os oceanos de um azul brilhante e as nuvens brancas que passavam a cada noventa minutos.
O ônibus espacial foi construído para carregar coisas muito pesadas. Ele tinha um espaço enorme chamado compartimento de carga, parecido com a caçamba de um caminhão gigante no céu. Ali dentro, a espaçonave transportava satélites, peças da Estação Espacial Internacional e até o Telescópio Espacial Hubble. Um braço robótico bem comprido, que ganhou o apelido de Canadarm, ajudava a tripulação a movimentar esses objetos pesados. De vez em quando, os astronautas vestiam seus trajes espaciais volumosos e saíam da nave em uma "caminhada espacial" para fazer reparos na própria nave ou em aparelhos que flutuavam por perto.
Quando a missão chegava ao fim, a nave não caía direto na Terra. Ela precisava desacelerar e entrar na atmosfera no ângulo exato. A parte de baixo do ônibus espacial era coberta de placas especiais de cerâmica, feitas para proteger a estrutura contra o calor extremo provocado pelo atrito durante a reentrada. Quando alcançava a parte mais baixa da atmosfera, ele deixava de agir como foguete e começava a planar feito um planador. Sem nenhum motor ligado, o piloto manobrava o ônibus espacial até uma pista longa, trazendo toda a tripulação em segurança para casa.



