Léo estava na beira da praia, onde a água fresca do Atlântico molhava a ponta de seus pés. Para ele, o oceano parecia uma criatura gigante que respirava. Ele tinha passado a manhã inteira cavando um fosso profundo ao redor de sua obra-prima: um castelo de areia com quatro torres imponentes. Ele o batizou de Fortaleza da Espuma.
— A maré está subindo, Léo! — avisou sua irmã mais velha, Maya, sentada em sua cadeira de praia. — As ondas estão ficando com mais fome!
Léo olhou para o horizonte. Ao longe, as ondas começavam como linhas longas e escuras. Conforme se aproximavam da praia, a água se acumulava, formando uma parede inclinada. A parte mais alta de cada onda, conhecida como crista, ganhava um branco brilhante ao começar a quebrar. Com um estrondo como um trovão, a onda desabava, espalhando uma espuma salgada que corria veloz pela areia.
Léo observava aquele ritmo com atenção. Algumas ondas eram pequenas e suaves, quase não alcançando seu fosso. Outras quebravam com força, lançando respingos bem alto no ar. Ele percebeu que, a cada poucos minutos, vinha uma onda bem maior, avançando mais longe na praia do que as anteriores. Ele trabalhou depressa para reforçar suas muralhas de areia, mas o oceano era incansável.
De repente, uma onda gigantesca se ergueu, com uma parede verde-esmeralda profunda. Ela não apenas desmanchou; ela avançou com um ímpeto incrível. Léo pulou para trás bem a tempo, enquanto a água rodopiava em torno de seus tornozelos. Quando a espuma finalmente recuou, sua fortaleza havia sumido. Tudo o que sobrou foi um pedaço de areia liso e úmido.
— Tudo bem! — riu Léo, limpando um pouco de sal do rosto. Ele percebeu que não podia vencer o oceano, mas com certeza podia brincar no ritmo dele. Pegou sua pá de plástico e levou seu balde alguns metros mais para trás, pronto para começar um novo reino onde as ondas pudessem chegar, mas sem destruir.



