Maya e seu avô, a quem ela chamava de Vovô, caminhavam devagar pela beira da praia. A maré estava baixando, deixando a areia fresca e firme sob seus pés descalços. Todo fim de tarde durante as férias de verão, eles faziam um passeio especial até a praia por um motivo muito claro: ver o sol se despedir do dia.
"Olhe para o céu hoje, Maya", disse o Vovô, apontando um dedo calejado em direção ao horizonte. "As nuvens parecem almofadas gigantes pegando fogo."
Maya apertou os olhos contra a luz brilhante. O céu não era mais apenas azul. Tinha se transformado em uma verdadeira obra-prima de cores em movimento. Tons vivos de laranja se misturavam a rosas intensos, enquanto toques de roxo real surgiam pelas bordas das nuvens. O oceano parecia espelhar o céu, com cada onda carregando uma fita dourada e cintilante.
Eles encontraram seu tronco favorito na areia e se sentaram. Por alguns minutos, nenhum dos dois disse nada. O único som era o vai e vem ritmado das ondas e o canto distante de uma gaivota solitária voltando para casa. Maya sentiu uma onda de tranquilidade tomar conta de si. Na cidade, tudo acontecia rápido demais. Ali, o tempo parecia desacelerar, especialmente quando o sol alcançava o limite do mundo.
Quando o sol começou a mergulhar nas águas, parecia uma moeda gigante e brilhante caindo dentro de um cofrinho. A luz se estendia pela superfície do mar, criando um caminho cintilante pelo qual parecia possível caminhar.
"Você acha que os peixes vão dormir agora?", sussurrou Maya, com receio de quebrar o encanto daquele momento.
"Acho que o mundo inteiro está respirando fundo", respondeu o Vovô com a voz mansa.
Por fim, o último pedacinho de sol terminou de desaparecer. As cores radiantes deram lugar a um tom cinza suave e escuro, e a primeira estrela da noite despontou no céu. Maya se levantou e tirou a areia das pernas. O pôr do sol havia terminado, mas a sensação de paz continuou com ela enquanto os dois começavam a caminhada de volta para o chalé.



