O Diário de Bordo do 5º Ano


28 de agosto – 06h30
Neste momento, estou olhando fixamente para o teto do meu quarto, e a única coisa em que consigo pensar é que, em exatamente duas horas, vou cruzar as portas da Escola Oakwood para o último ‘primeiro dia’ da minha vida... bem, pelo menos no Ensino Fundamental I. Estar no 5º ano parece como ficar na ponta de um trampolim muito alto. Passei anos vendo os ‘alunos grandes’ apresentarem os avisos da manhã e liderarem a patrulha de segurança, e agora, de repente, sou uma deles. Meu estômago parece cheio de borboletas hiperativas que tomaram suco de laranja demais. Já conferi minha mochila quatro vezes. Guardei meus cadernos novos, minhas lapiseiras favoritas e uma lancheira que temo parecer um pouco infantil demais, do 4º ano, mas ela tem uma alça resistente, então vou continuar com ela.
Minha mãe não para de bater na porta, dizendo que o café da manhã está esfriando, mas como posso comer panquecas se minha garganta parece estar se fechando? Fico imaginando como será meu novo professor, o Sr. Sterling. Os boatos na vizinhança são bem contraditórios. Algumas pessoas dizem que ele é um gênio que sabe tudo sobre o espaço sideral, enquanto outras afirmam que ele passa lição de casa toda santa sexta-feira. Acho que vou descobrir logo. Só espero sentar perto da Sarah ou da Jada. Se eu cair em uma mesa com pessoas desconhecidas, vai ser uma manhã interminável.
28 de agosto – 16h45
Eu sobrevivi! Não apenas sobrevivi, mas acho que o 5º ano pode ser o melhor ano de todos. Quando desci do ônibus escolar esta manhã, o ar tinha aquele cheiro característico de grama recém-cortada e cera de chão que sempre anuncia a volta às aulas. O corredor parecia um mar de mochilas coloridas e de colegas gritando saudações para amigos que não viam desde o início das férias, em junho. Fiquei um pouco perdida por um segundo, embora já estude neste prédio há cinco anos. Tudo parecia maior, ou talvez eu apenas tenha sentido o peso da responsabilidade de ser uma líder agora.
Quando entrei na Sala 212, o Sr. Sterling estava de pé ao lado da porta. Ele não usava terno como imaginei; vestia uma gravata com pequenos astronautas estampados e exibia um sorriso imenso. Ele apertou minha mão e disse: ‘Bem-vinda à Fronteira, Maya’. É assim que ele chama nossa sala de aula: a Fronteira. Ele explicou que o 5º ano serve para desbravar novos territórios de conhecimento e descobrir quem queremos ser. Pareceu um pouco dramático, mas, sinceramente, me fez sentir importante.
Não consegui sentar com a Sarah nem com a Jada, o que pareceu um desastre a princípio. Fui designada para a Mesa Quatro, bem em frente a um garoto novo chamado Leo. Ele parecia ainda mais apreensivo do que eu. Ficava mexendo em uma borracha azul e olhando para a carteira. Lembrei-me de como me senti há três anos, quando me mudei para cá, então respirei fundo e perguntei se ele gostava de desenhar. O rosto dele se iluminou e ele puxou um caderno repleto de dragões incríveis. Passamos os primeiros dez minutos conversando sobre desenho enquanto o Sr. Sterling organizava as caixas de materiais. Descobri que fazer um novo amigo é um ótimo remédio para espantar o nervosismo da barriga.
Uma das atividades mais legais de hoje foi o projeto da ‘Cápsula do Tempo’. O Sr. Sterling entregou um tubo de papelão para cada um. Tivemos que escrever uma carta para o nosso eu do futuro, listando livros favoritos, nossos maiores medos e uma meta que esperamos cumprir até o fim do ano letivo. Escrevi que quero dominar os cálculos de divisão longa e, quem sabe, fazer um teste para a peça de teatro da escola. Fechamos os tubos com fita adesiva e os colocamos em um grande baú de madeira no fundo da sala. O Sr. Sterling prometeu que só vamos abri-los no último dia de aula, em junho. É curioso pensar em quanto podemos mudar daqui até lá.
O almoço foi um pouco agitado. O refeitório parecia mais barulhento do que o normal, e as mesas do 5º ano ficam bem no centro, o que faz a gente se sentir em um palco. Sentei-me com a Sarah e a Jada, e passamos o intervalo inteiro comparando horários e rindo porque compramos pastas com a mesma cor fluorescente sem combinar. Embora não estejamos na mesma turma em tudo, saber que elas estão no mesmo corredor torna essa fase de ser ‘aluna mais velha’ bem menos assustadora.
Encerramos o dia com um experimento de ciências. O Sr. Sterling nem abriu o livro didático. Ele simplesmente tirou um recipiente enorme de nitrogênio líquido e nos mostrou como ele podia transformar um cravo vermelho em algo tão quebradiço quanto vidro. Quando ele estilhaçou a flor sobre a mesa, a turma inteira prendeu a respiração em choque. Se a ciência for assim o ano todo, acho que aguento a lição de casa de sexta-feira.
28 de agosto – 20h30
Estou no meu quarto novamente e a casa está em silêncio. A roupa do primeiro dia já foi para o cesto de roupa suja e minha mochila está perto da porta, pronta para amanhã. Sinto-me bem diferente de como estava pela manhã. A energia nervosa se transformou em uma expectativa tranquila. Percebi hoje que ser a mais velha da escola não se resume a ter mais tarefas ou sentar no centro do refeitório. Trata-se de dar um bom exemplo para os menores. Vi um menino do 2º ano chorando perto do bebedouro porque não achava sua sala e, em vez de passar direto, parei e indiquei o caminho certo. Ele olhou para mim como se eu fosse uma heroína.
Amanhã começamos a primeira unidade de história sobre civilizações antigas. O Sr. Sterling nos avisou para levar nossos ‘chapéus da imaginação’, o que tenho certeza de que é só uma metáfora, mas estou pronta. Acho que vou adorar o 5º ano. Vai ser um ciclo de estreias, despedidas e tudo o que há no meio do caminho. Estou cansada, mas, pela primeira vez em semanas, não estou aflita com o futuro. Só quero ver o que a Fronteira nos reserva.
- trampolim:
- Prancha flexível e elevada usada para saltar em piscinas; no texto, representa a sensação de encarar um grande desafio.
- contraditórios:
- Informações ou opiniões que afirmam coisas opostas entre si, gerando dúvida.
- apreensivo:
- Estado de quem sente receio, inquietação ou medo em relação ao que pode acontecer.
- fluorescente:
- Cor muito viva, brilhante e chamativa que se destaca facilmente à luz.
- quebradiço:
- Objeto ou material frágil que se parte ou estilhaça com facilidade ao menor impacto.
- metáfora:
- Figura de linguagem que consiste no uso de uma palavra ou expressão com sentido figurado, baseando-se em uma comparação implícita.
- expectativa:
- Sentimento ou estado de quem aguarda ansiosa ou confiantemente a chegada de algum acontecimento.
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Sobre este texto de diário para o 5º ano
“O Diário de Bordo do 5º Ano” é um texto de diário sobre Transição Escolar, escrito para o 5º ano. A leitura leva cerca de 7 minutos (1.036 palavras). O texto inclui um quiz interativo e uma atividade para imprimir com perguntas de compreensão e gabarito.


